Jesus - a Simples Verdade

terça-feira, 15 de março de 2011

"Tomar a Cruz" ou " Pagar o Preço" ?



“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” (Lucas 9.23.)

Gosto de pensar nas palavras, no modo de falarmos. É interessante como escolhemos o que dizer. É curioso como determinados termos e expressões vão sendo selecionados pelos falantes. Às vezes as palavras vão viajando pelos “discursos”, isto é, pelas conversas que as pessoas mantêm umas com as outras.

Na verdade, esse meu prazer é bem inútil. Para a grande maioria das pessoas, isso é irrelevante. Afinal, qual a aplicabilidade disso? Para que serve?

Diante dessa constatação, sou obrigada a defender essa minha mania. Se não, vou ficar com fama de lunática, fútil, alienada, sei lá.

Como cristãos, vivemos muito de palavras. Jesus é o Verbo; a Bíblia é a Palavra de Deus; no céu, todos os registros referentes aos seres humanos encontram-se escritos em livros, e ainda há o mais importante – o Livro da Vida (Apocalipse 20.12). Sendo assim, é apropriado pensarmos no que falamos.

Nas duas últimas décadas, surgiram em nosso meio alguns termos e expressões com os quais não concordo muito. Mas há uma expressão em particular que desde a primeira vez que a ouvi senti certa estranheza: “Pagar o preço”. Porém, como era algo que veiculava até na boca de líderes e autores respeitados, não formei uma opinião sobre ela logo no início.

No entanto o tempo foi passando. E a expressão continuava a incomodar meu ouvido. “O fulano tem o dom de cura. Deus se manifesta poderosamente através dele. Mas também, pudera, ele ‘paga o preço’ de oração.”

“Se quisermos uma vida de vitórias, temos de ‘pagar o preço’.”

“Se ‘pagarmos o preço’, teremos uma família bem-sucedida.”

Sem perceber, as pessoas foram contaminando a idéia original. Jesus disse que teríamos de negar a nós mesmos, dia após dia, e tomar a nossa cruz.

É verdade que enfrentamos lutas e tribulações. É fato que o fazer o bem é extremamente mais difícil que fazer o mal. Sabemos que é necessário mortificar a carne, pois ela trava batalhas contra o Espírito. Tem de haver empenho de nossa parte para não abandonarmos o caminho estreito, por causa da dificuldade que é permanecer nele. O tempo todo fazemos escolhas que contrariam nossa vontade. Constantemente abrimos mão de prazeres temporários.

Carregamos nossa cruz. Mas não pagamos nada.

Deus nos deu seu único Filho. Ele nos dá o direito de sermos feitos filhos seus. A fé não vem de nós, é dom dele. Ele nos dá a salvação. E nos dá a vida eterna. E nos dá o Espírito Santo. Recebemos tudo “de mão beijada”.

Se proferirmos a expressão “Pagar o preço”, estaremos anulando o que Jesus fez.

Jesus pagou o preço.

Jesus quitou a nossa dívida.

Jesus anulou a nota promissória que nos mantinha cativos.

Jesus mediou nosso acesso a Deus.

Jesus fez tudo.

Se conseguimos enfrentar as tribulações, é porque Jesus pagou o preço.

Se recebemos dons e somos usados por Deus para alguma obra, é porque Jesus pagou o preço.

Se nos mantemos em pé, seguindo pelo caminho estreito, é porque Jesus pagou o preço.

Se temos fé, se amamos, se pregamos, se oramos, se conquistamos vitórias, se alcançamos nosso próximo, se mantemos comunhão com Deus, se recebemos perdão, é porque Jesus pagou o preço.

E não foi barato nos dar tudo isso. Custou-lhe a própria vida.

Mas o Senhor não está à procura de sócios, que paguem junto com ele por alguma coisa. Ele quer comunhão conosco. Deseja uma aproximação desinteressada. Espera um amor sincero, uma amizade que não seja pesada para nós. Ele estende os braços para que nos enrosquemos no seu colo.

Se nosso relacionamento com Deus se tornar uma árdua obrigação, estaremos a um passo de nos transformar em hipócritas fariseus. Se acharmos que é nosso esforço que determina a vitória, iremos também bater no peito e desprezar nosso próximo.

Não podemos nos esquecer nunca de que estamos vivendo no tempo da graça.

“Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8,9.)

Ângela Mara Leite Drumond é revisora da Editora Betânia. É membro da igreja IEMP de Belo Horizonte.
Fonte: Revista Mensagem da Cruz
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